quarta-feira, 4 de junho de 2008

Respeito ao direito de morrer com dignidade

A vida tem várias etapas que percorremos normalmente sem preconceitos, sem medos, sem constrangimentos: passamos pela infância onde temos a educação de berço chegamos a puberdade, ficamos adultos, estudamos, casamos, temos filhos, depois netos, chegamos a maturidade, à velhice, aí... a morte é a única etapa que todos criam fantasmas sobre ela, criam medos, envolvem-na de tristezas, chamam-na de choque doloroso, e no entanto é uma etapa normal obrigatória e pela qual todos nós vamos passar independentemente de posições sociais, de sabedoria, de riqueza... ela é a ponte de transposição de uma vida para outra, ponte pela qual passarão todos: pobre, ricos, reis, rainhas, pretos, brancos, bandidos, santos, ninguém escapa de passar por essa ponte. Se durante a existência temos direito de estudar nessa ou naquela escola, temos o direito de casar, temos o direito de habitar, de trabalhar, enfim temos o direito de dirigir a nossa vida do jeito que quisermos e de acordo com as normas legais de relacionamento humano, temos também o direito de morrer em paz, com respeito e sem imposições outras que sejam contrárias a nossa vontade. Dito isso, exemplifico: respeito os princípios de todas as pessoas mas tenho para mim que se for acometido de uma parada cardíaca, não quero que me ressuscitem com máquinas; se estiver doente, os médicos disserem que na medicina não há mais recursos, que só Deus pode me curar: não me deixem ligado em máquinas em estado de vida vegetativa. Fujo de u.t.i.s e c.t.i.s como diabo foge da cruz... Isto tudo que escrevi é oriundo de acontecimento recente em que uma senhora de 89 anos que ficou 15 dias na u.t.i, onde teve infarto do miocárdio, saiu do c.t.i ficou 3 dias no quarto com os familiares, voltou a passar mal e os médicos disseram: se ela ficar no quarto morrerá ainda esta noite, se for para o c.t.i durará ainda algum tempo. Quando falaram isso, a família pediu que a deixassem morrer com dignidade entre as pessoas que ama sem a frieza de estranhos e de ambiente e de máquinas... os médicos não respeitaram a vontade das filhas, genros, netos e bisnetos em favor do respeito ao direito de morrer com dignidade cercada do carinho e do amor de todos que acompanhou a vida toda. Levaram-na para o c.t.i as 21 horas do dia 21 de Maio de 2008 e ela faleceu as 06:40 horas do dia 22 de Maio de 2008.

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